Queridos, acompanhem o blog da minha amiga Kerols. Comportamento é a chave dos seus textos. Vale a pena ler diariamente.
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O mundo por outro olhar
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Um texto legal que recebi hoje...
CADERNO ABERTO
por Rafael Moreno
O terminado tem sempre razão. Porque quem desiste e encontra motivos é um covarde. E todo covarde é racional. Eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que esperam cinquenta anos: eu gosto dos Florentinos Ariza. O terminado tem sempre razão porque não desistiu. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. E quando liga às cinco da madrugada. E quando foge de comédias românticas. E quando insiste em não ouvir Cartola. Está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A mudar. A melhorar. A salvar. Quem desiste é um racional. É um covarde: enxerga defeito onde existe defeito. Encontra motivos. E todo covarde tem um milhão de motivos.
Em se tratando de amor, todo homem deveria ser uma mulher. A mulher acredita no amor eterno, no amor único, e mais: nunca vai deixar de acreditar. O homem, não. O homem é um lúcido. Acredita, mesmo, que não deve chorar. Acredita, mesmo, que não deve lutar. O homem é um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.
O tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. E você começa a reparar que a barriga dele está crescendo, a perna dela tem veias, ele se veste mal, ela sua no bigode. Começar a reparar numa celulite, numa preguiça para o banho. A se cansar do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Ele arrota muito. Ela deixa o sapato na sala. Estraga comida. É pirangueiro. Tem chulé. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é seu: você queria um amor cego.
Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. O amor rochedo - aquele que, ao invés de dar inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com estria, com ronco. Existindo com pagode, sertanejo. Existindo com bafo. Com peido. Com desculpas para não transar. O amor existe com dívidas, com liseu, sem férias. E mais: ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem tirar as suas máscaras. Vai ver, sei lá, que ele só existe depois de 20, 30 anos.
Quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.
por Rafael Moreno
O terminado tem sempre razão. Porque quem desiste e encontra motivos é um covarde. E todo covarde é racional. Eu gosto dos que lutam, dos que choram, dos que esperam cinquenta anos: eu gosto dos Florentinos Ariza. O terminado tem sempre razão porque não desistiu. E, quando chora, é porque não queria que o outro desistisse. E quando liga às cinco da madrugada. E quando foge de comédias românticas. E quando insiste em não ouvir Cartola. Está sempre certo. Tem razão porque estava disposto a lutar. A mudar. A melhorar. A salvar. Quem desiste é um racional. É um covarde: enxerga defeito onde existe defeito. Encontra motivos. E todo covarde tem um milhão de motivos.
Em se tratando de amor, todo homem deveria ser uma mulher. A mulher acredita no amor eterno, no amor único, e mais: nunca vai deixar de acreditar. O homem, não. O homem é um lúcido. Acredita, mesmo, que não deve chorar. Acredita, mesmo, que não deve lutar. O homem é um conformado. E não existe pior canalha do que o conformado.
O tempo entrega a verdade. O tempo tira as máscaras. E você começa a reparar que a barriga dele está crescendo, a perna dela tem veias, ele se veste mal, ela sua no bigode. Começar a reparar numa celulite, numa preguiça para o banho. A se cansar do excesso de queixas, do excesso de carinho, de carência, do excesso de choro, de dias mal humorados. Ele arrota muito. Ela deixa o sapato na sala. Estraga comida. É pirangueiro. Tem chulé. Então você descobre que não quer viver o resto da vida com essa pessoa. E o erro é seu: você queria um amor cego.
Mas o amor não é cego. Ele é tudo, menos cego. O amor rochedo - aquele que, ao invés de dar inveja, dá esperança - enxerga tudo de ruim. E continua existindo. Existindo com estria, com ronco. Existindo com pagode, sertanejo. Existindo com bafo. Com peido. Com desculpas para não transar. O amor existe com dívidas, com liseu, sem férias. E mais: ele só existe, ele só acontece, quando os dois conseguem tirar as suas máscaras. Vai ver, sei lá, que ele só existe depois de 20, 30 anos.
Quem tem a natureza feliz não se permite viver um grande amor. Quer esquecer rápido. Quer voltar a sorrir. Não consegue lutar. Nem esperar. Os felizes não amam seriamente.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Saber, mudar e agir são as chaves para uma nova cultura
MAIRA MOREIRA, LITZA MATTOS E VALÉRIA FLORES - 27/05/2010
Publicação do livro para os alunos é outra ação do projeto de educação ambiental
A conscientização efetiva, eficaz e integrada, sobre a importância dos processos de produção, consumo e descarte responsáveis e o poder transformador destas escolhas, no cotidiano, são paradigmas que, cada vez mais, estão saindo da perspectiva teórica e ocupando espaços de conhecimento, entendimento e ação práticas, como as salas de aula brasileiras. Mais de dois mil adolescentes e 120 educadores de 15 escolas de cinco capitais do Brasil (Belo Horizonte, Cuiabá, Natal, Porto Alegre e Porto Velho), são os principais beneficiados do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", desenvolvido pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em parceria, desde 2008, com a Hewlett-Packard (HP).
A parceria, integra a campanha "Escolha Consciente HP", que utiliza o modelo metodológico de repasse de verbas onde, para cada venda de produto de imagem ou impressão da Hewlett-Packard (HP), R$ 3,00 são revertidos para o Akatu expandir suas ações sociais. Em 2008, a campanha arrecadou quase um milhão de reais, em 2009, superou essa marca e, esse ano, a previsão é bater o recorde do ano passado. Outra ação do "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", é a publicação do livro, voltado para alunos, "Trilha do Consumo Consciente - suas escolhas transformam o mundo". A obra valoriza um modelo de linguagem jovem, com ilustrações atraentes e se baseia nas metodologias já utilizadas em outros projetos, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) - referenciais elaborados pelo governo Federal, em 1996, voltados, sobretudo, para a estruturação e reestruturação dos currículos escolares no Brasil. Os materiais entregues aos alunos e professores servirão para o desenvolvimento do Projeto Temático, que a escola beneficiada pelo programa iniciará após a formação dos professores, sob a orientação dos profissionais do Akatu, e cujo término está previsto para novembro deste ano. Destaque como exemplo de organização social que desenvolve, desde 2000, ações para sensibilizar e mobilizar os indivíduos sobre a necessidade de entender e agir, sob a ótica do consumo consciente, para preservar, proteger e salvar o planeta e suas formas de vida - assim vem sendo reconhecido o Akatu.
A chave, para vencer esse desafio mundial, de acordo com o presidente do instituto, Helio Mattar, é a educação. Ele acredita que só por meio da Educação poderá ser consolidada uma nova cultura, nos âmbitos social, político e econômico de produção, consumo e descarte responsáveis. Segundo a coordenadora do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", Camila Melo, em cada cidade, três escolas foram selecionadas e cada uma trabalhou um dos métodos de capacitação. "O objetivo é que cada escola busque uma metodologia e, os professores, desenvolvam um projeto apontando a melhor e efetiva solução na abordagem da temática sobre o consumo consciente, em sala de aula. A necessidade é ensinar, sensibilizar e mobilizar os alunos, sobre a importância da mudança de comportamento já", afirma a coordenadora.
O projeto piloto do programa começou em outubro passado, em quatro escolas de diferentes regiões brasileiras - em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte (Minas Gerais), Cuiabá (Mato Grosso) e Natal (Rio Grande do Norte) - aonde foram iniciadas as atividades de formação de professores. Na capital mineira, a temática ambiental ganhou força no currículo de três escolas da rede estadual: Manoel Soares do Couto, Carlos Góes e Ana de Carvalho Silveira, com a capacitação de professores. Para viabilizar o programa, o Instituto Akatu ofereceu todo o material de apoio necessário aos professores, assim como livros às bibliotecas das escolas, adaptados, com linguagem própria, para cada faixa etária. "A meta é que, alunos e professores se tornem disseminadores da causa, nas comunidades e demais ambientes. Mas quanto aos jovens, principalmente, que passem a ver realidade de outra forma, mudando antigas culturas e optando por novas posturas e atitudes, no sentido de melhorar o mundo", confirma Camila.
Semente boa para um mundo melhor
E em tempos de revisão de conceitos sobre a corrida ao crescimento, agora não mais a qualquer custo, mas sim, aliada às premissas do desenvolvimento sustentável, vigora na agenda global, o debate em torno da necessidade da adaptação de todos à uma nova cultura, como resposta à seguinte questão: que futuro queremos? Nesse contexto, outros paradigmas precisam ser considerados, como a rapidez do surgimento de novas tecnologias, que perpassam todas as cadeias, da criação, passando pela produção e comercialização até o consumo de toda sorte de serviços e produtos e que, se desconsiderados, trazem à tona, o fantasma da "exclusão". Uma delas tem se destacado no cenário global: as catástrofes naturais que, em efeito cascata, atingem a vida das pessoas no mundo, de norte a sul do planeta. Essa é uma das principais bandeiras levantadas pelo Instituto Akatu, criado há 10 anos. Curto e original, o nome escolhido pelos idealizadores da organização, Akatu, condensa seus conceitos e valores, além de justificar sua atuação na sociedade: é formado pela união de duas palavras, a e katu, de origem Tupi, e significa semente boa para um mundo melhor.
Para integrar todas as suas ações, de forma interdisciplinar, o programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental" tem o apoio das secretarias de Educação nos estados onde vem sendo implementado. Gestão de resíduos, consumo consciente, economia solidária e desigualdade social, são alguns dos temas mais reincidentes em todas as fases. Desde março, os professores estão replicando o aprendizado a outros colegas e colocando em prática os projetos criados com os alunos, principalmente estudantes do Ensino Fundamental II, fase em que começam a formação de valores individuais e práticas mais autônomas de consumo. "A expectativa é que mais de dois mil alunos, com média de 12 anos, passem por esse processo de aprendizado", afirma Camila. No segundo semestre deste ano, o Akatu fará uma avaliação do programa, para identificar, entre todos os projetos desenvolvidos, tem potencial para se efetivar como um modelo padrão, a partir de 2011. "O próximo passo é tentar expandir o projeto para toda a rede pública de ensino do país", conclui o diretor presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar.
Publicação do livro para os alunos é outra ação do projeto de educação ambiental
A conscientização efetiva, eficaz e integrada, sobre a importância dos processos de produção, consumo e descarte responsáveis e o poder transformador destas escolhas, no cotidiano, são paradigmas que, cada vez mais, estão saindo da perspectiva teórica e ocupando espaços de conhecimento, entendimento e ação práticas, como as salas de aula brasileiras. Mais de dois mil adolescentes e 120 educadores de 15 escolas de cinco capitais do Brasil (Belo Horizonte, Cuiabá, Natal, Porto Alegre e Porto Velho), são os principais beneficiados do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", desenvolvido pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em parceria, desde 2008, com a Hewlett-Packard (HP).
A parceria, integra a campanha "Escolha Consciente HP", que utiliza o modelo metodológico de repasse de verbas onde, para cada venda de produto de imagem ou impressão da Hewlett-Packard (HP), R$ 3,00 são revertidos para o Akatu expandir suas ações sociais. Em 2008, a campanha arrecadou quase um milhão de reais, em 2009, superou essa marca e, esse ano, a previsão é bater o recorde do ano passado. Outra ação do "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", é a publicação do livro, voltado para alunos, "Trilha do Consumo Consciente - suas escolhas transformam o mundo". A obra valoriza um modelo de linguagem jovem, com ilustrações atraentes e se baseia nas metodologias já utilizadas em outros projetos, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) - referenciais elaborados pelo governo Federal, em 1996, voltados, sobretudo, para a estruturação e reestruturação dos currículos escolares no Brasil. Os materiais entregues aos alunos e professores servirão para o desenvolvimento do Projeto Temático, que a escola beneficiada pelo programa iniciará após a formação dos professores, sob a orientação dos profissionais do Akatu, e cujo término está previsto para novembro deste ano. Destaque como exemplo de organização social que desenvolve, desde 2000, ações para sensibilizar e mobilizar os indivíduos sobre a necessidade de entender e agir, sob a ótica do consumo consciente, para preservar, proteger e salvar o planeta e suas formas de vida - assim vem sendo reconhecido o Akatu.
A chave, para vencer esse desafio mundial, de acordo com o presidente do instituto, Helio Mattar, é a educação. Ele acredita que só por meio da Educação poderá ser consolidada uma nova cultura, nos âmbitos social, político e econômico de produção, consumo e descarte responsáveis. Segundo a coordenadora do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", Camila Melo, em cada cidade, três escolas foram selecionadas e cada uma trabalhou um dos métodos de capacitação. "O objetivo é que cada escola busque uma metodologia e, os professores, desenvolvam um projeto apontando a melhor e efetiva solução na abordagem da temática sobre o consumo consciente, em sala de aula. A necessidade é ensinar, sensibilizar e mobilizar os alunos, sobre a importância da mudança de comportamento já", afirma a coordenadora.
O projeto piloto do programa começou em outubro passado, em quatro escolas de diferentes regiões brasileiras - em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte (Minas Gerais), Cuiabá (Mato Grosso) e Natal (Rio Grande do Norte) - aonde foram iniciadas as atividades de formação de professores. Na capital mineira, a temática ambiental ganhou força no currículo de três escolas da rede estadual: Manoel Soares do Couto, Carlos Góes e Ana de Carvalho Silveira, com a capacitação de professores. Para viabilizar o programa, o Instituto Akatu ofereceu todo o material de apoio necessário aos professores, assim como livros às bibliotecas das escolas, adaptados, com linguagem própria, para cada faixa etária. "A meta é que, alunos e professores se tornem disseminadores da causa, nas comunidades e demais ambientes. Mas quanto aos jovens, principalmente, que passem a ver realidade de outra forma, mudando antigas culturas e optando por novas posturas e atitudes, no sentido de melhorar o mundo", confirma Camila.
Semente boa para um mundo melhor
E em tempos de revisão de conceitos sobre a corrida ao crescimento, agora não mais a qualquer custo, mas sim, aliada às premissas do desenvolvimento sustentável, vigora na agenda global, o debate em torno da necessidade da adaptação de todos à uma nova cultura, como resposta à seguinte questão: que futuro queremos? Nesse contexto, outros paradigmas precisam ser considerados, como a rapidez do surgimento de novas tecnologias, que perpassam todas as cadeias, da criação, passando pela produção e comercialização até o consumo de toda sorte de serviços e produtos e que, se desconsiderados, trazem à tona, o fantasma da "exclusão". Uma delas tem se destacado no cenário global: as catástrofes naturais que, em efeito cascata, atingem a vida das pessoas no mundo, de norte a sul do planeta. Essa é uma das principais bandeiras levantadas pelo Instituto Akatu, criado há 10 anos. Curto e original, o nome escolhido pelos idealizadores da organização, Akatu, condensa seus conceitos e valores, além de justificar sua atuação na sociedade: é formado pela união de duas palavras, a e katu, de origem Tupi, e significa semente boa para um mundo melhor.
Para integrar todas as suas ações, de forma interdisciplinar, o programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental" tem o apoio das secretarias de Educação nos estados onde vem sendo implementado. Gestão de resíduos, consumo consciente, economia solidária e desigualdade social, são alguns dos temas mais reincidentes em todas as fases. Desde março, os professores estão replicando o aprendizado a outros colegas e colocando em prática os projetos criados com os alunos, principalmente estudantes do Ensino Fundamental II, fase em que começam a formação de valores individuais e práticas mais autônomas de consumo. "A expectativa é que mais de dois mil alunos, com média de 12 anos, passem por esse processo de aprendizado", afirma Camila. No segundo semestre deste ano, o Akatu fará uma avaliação do programa, para identificar, entre todos os projetos desenvolvidos, tem potencial para se efetivar como um modelo padrão, a partir de 2011. "O próximo passo é tentar expandir o projeto para toda a rede pública de ensino do país", conclui o diretor presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Welcome to Universo Parallelo
Todo final de ano é assim... corrida contra o tempo para conseguir uma folguinha no trabalho. Horas extras, trabalho dobrado, muito esforço. Mas no final de tudo, sempre vale a pena.
Pelo quarto ano consecutivo meu destino foi o mesmo: Universo Parallelo. Se vale a pena? Sim. Cada ano é um sentimento, cada dia é uma magia, cada momento é uma lembrança. E com o tempo você vai se acostumando que, na verdade, você quem faz a diferença. Um festival, por mais que seja o mesmo, jamais será igual.
Esse ano uma novidade nos pegou de surpresa. Um local inédito para vivenciar esses momentos únicos que o Universo proporciona. Com o mar calmo, não ouvíamos o barulho das ondas, que mal apareciam por lá. Ao andar um pouco, pode-se ver o encontro das águas do mar com as águas do rio. Possível ver as pedras no fundo do rio. Necessário andar com cuidado para nelas não pisar. Ali todos os dias era possível ver um maravilhoso pôr-do-sol. Atrás dos coqueiros, ia perdendo a cor aos poucos.. pura terapia relaxante.
Ao chegarmos antes, pudemos vivenciar momentos que nunca havíamos se quer reparado. As pessoas trabalhando para fazer acontecer. Cada detalhe na decoração que somente os mais sábios podem reparar. Tanta perfeição. Mínimos detalhes...
Aos poucos as pessoas foram chegado e florindo o lugar. Percebia-se a expressão de cada uma. Oforia, ansiedade, alegria, entusiasmo, dúvidas, receios. Cada um carregava uma bagagem de sentimentos. Impossível não ser assim.
A cada batida em uma pista, uma sensação. O Chill out carregava o branco da paz, trazendo tranquilidade ao ambiente assim como a música que ali seguia.
A pista goa trazia a psicodelia. Coloridos por todas as partes. Uma decoração carregada de detalhes que nos enfeitiçava a cada olhada.
A pista alternativa minimalista. Muitos artistas surpreenderam saindo da mesmisse do low, trazendo novidades e tendências. A qualquer hora, pessoas dançando, curtindo, sentindo. Por um instante, parecia isolada nas areias da Praia do Garcez, o que trazia mais perfeição ao local escolhido.
A feira mix logo se seguia. Quantas lojas. Diversidade. Assim como nunca se viu em um festival. De tudo se encontrava. E todas as noitas as pinturas da Maria Budah encantavam os olhos de quem ali passava. Estondeantes, fluor, glow. Panos que para cada pessoa transmitia uma sensação, uma imagem.
A pista principal estava sensacional. Uma decoração indescritível, que só estando lá para saber. Ao olhar para o artista, pode-se fixar no infinito do mar. Max Grillo, Neelix, Quantize, Xibalba, Swarup....As pessoas ali dançavam, se soltavam ao som do psy trance. A noite dois corações em cada lado do palco, eram invadidos pelas imagens projetadas pelos VJs. Cada noite uma surpresa. Tudo se encaixava. A batida do som, os passos de dança das pessoas, cada um com seu estilo de ser, cada um com o ritmo que sentia da música. Olhos fechados e corpo em movimento.
O momento mais esperado chega: meia noite do dia 31 de dezembro. Virada de mais um ano. Conquistas, saúde, sucesso, amor, dinheiro, paz. Dentre os pedidos feitos em outros anos, vários foram realizados. A virada. O momento de agradecer pelo que passou e pedir benção para o ano que entra. 2010. Particularmente, muito esperado.
Nesse momento ouvi palavras que muito me satisfazeram. Alguns amigos gringos mostraram quanto estavam anestesiados com a situação, o local, a oportunidade. Pela descrição, jamais sentiram aquilo. Jamais imaginaram que o Universo Parallelo era assim. Alegria transparecia em suas feições. Satisfação em poder participar desses momentos na vida de outras pessoas. Nos tornamos inesquecíveis simplesmente por estar presente ali.
Perrengues tiveram...... mais do que o normal. A água estava escassa. As pessoas passavam e falavam "o homem vive sem tudo, menos sem água". Será? Como vivemos sem amigos, sem calor humano, sem alegria ou música? Sem poder dançar e expressar os sentimentos através dos movimentos do corpo? Sem a proteção divina, contatos físicos, pensamentos? Sim, a água é essencial na vida do ser humano. Mas sobrevivemos. Depois de alguns longos dias todo mundo sobreviveu. Normal. A vida é assim. Não podemos ter fartura de tudo. Não se pode nem ao menos ter tudo.
Mas com o pouco que temos de tudo, é necessário valorizar e ver que no final, tudo vale a pena.
O que foi vivido carregamos para o resto da vida. Aprendizado e momentos que só o Universo Parallelo pode nos proporcionar.
Bem vindo ao mundo real da psicodelia. Aproveite-o enquanto é tempo. Você precisa passar por isso para se tornar uma pessoa melhor.
Por Maira Moreira
Pelo quarto ano consecutivo meu destino foi o mesmo: Universo Parallelo. Se vale a pena? Sim. Cada ano é um sentimento, cada dia é uma magia, cada momento é uma lembrança. E com o tempo você vai se acostumando que, na verdade, você quem faz a diferença. Um festival, por mais que seja o mesmo, jamais será igual.
Esse ano uma novidade nos pegou de surpresa. Um local inédito para vivenciar esses momentos únicos que o Universo proporciona. Com o mar calmo, não ouvíamos o barulho das ondas, que mal apareciam por lá. Ao andar um pouco, pode-se ver o encontro das águas do mar com as águas do rio. Possível ver as pedras no fundo do rio. Necessário andar com cuidado para nelas não pisar. Ali todos os dias era possível ver um maravilhoso pôr-do-sol. Atrás dos coqueiros, ia perdendo a cor aos poucos.. pura terapia relaxante.
Ao chegarmos antes, pudemos vivenciar momentos que nunca havíamos se quer reparado. As pessoas trabalhando para fazer acontecer. Cada detalhe na decoração que somente os mais sábios podem reparar. Tanta perfeição. Mínimos detalhes...
Aos poucos as pessoas foram chegado e florindo o lugar. Percebia-se a expressão de cada uma. Oforia, ansiedade, alegria, entusiasmo, dúvidas, receios. Cada um carregava uma bagagem de sentimentos. Impossível não ser assim.
A cada batida em uma pista, uma sensação. O Chill out carregava o branco da paz, trazendo tranquilidade ao ambiente assim como a música que ali seguia.
A pista goa trazia a psicodelia. Coloridos por todas as partes. Uma decoração carregada de detalhes que nos enfeitiçava a cada olhada.
A pista alternativa minimalista. Muitos artistas surpreenderam saindo da mesmisse do low, trazendo novidades e tendências. A qualquer hora, pessoas dançando, curtindo, sentindo. Por um instante, parecia isolada nas areias da Praia do Garcez, o que trazia mais perfeição ao local escolhido.
A feira mix logo se seguia. Quantas lojas. Diversidade. Assim como nunca se viu em um festival. De tudo se encontrava. E todas as noitas as pinturas da Maria Budah encantavam os olhos de quem ali passava. Estondeantes, fluor, glow. Panos que para cada pessoa transmitia uma sensação, uma imagem.
A pista principal estava sensacional. Uma decoração indescritível, que só estando lá para saber. Ao olhar para o artista, pode-se fixar no infinito do mar. Max Grillo, Neelix, Quantize, Xibalba, Swarup....As pessoas ali dançavam, se soltavam ao som do psy trance. A noite dois corações em cada lado do palco, eram invadidos pelas imagens projetadas pelos VJs. Cada noite uma surpresa. Tudo se encaixava. A batida do som, os passos de dança das pessoas, cada um com seu estilo de ser, cada um com o ritmo que sentia da música. Olhos fechados e corpo em movimento.
O momento mais esperado chega: meia noite do dia 31 de dezembro. Virada de mais um ano. Conquistas, saúde, sucesso, amor, dinheiro, paz. Dentre os pedidos feitos em outros anos, vários foram realizados. A virada. O momento de agradecer pelo que passou e pedir benção para o ano que entra. 2010. Particularmente, muito esperado.
Nesse momento ouvi palavras que muito me satisfazeram. Alguns amigos gringos mostraram quanto estavam anestesiados com a situação, o local, a oportunidade. Pela descrição, jamais sentiram aquilo. Jamais imaginaram que o Universo Parallelo era assim. Alegria transparecia em suas feições. Satisfação em poder participar desses momentos na vida de outras pessoas. Nos tornamos inesquecíveis simplesmente por estar presente ali.
Perrengues tiveram...... mais do que o normal. A água estava escassa. As pessoas passavam e falavam "o homem vive sem tudo, menos sem água". Será? Como vivemos sem amigos, sem calor humano, sem alegria ou música? Sem poder dançar e expressar os sentimentos através dos movimentos do corpo? Sem a proteção divina, contatos físicos, pensamentos? Sim, a água é essencial na vida do ser humano. Mas sobrevivemos. Depois de alguns longos dias todo mundo sobreviveu. Normal. A vida é assim. Não podemos ter fartura de tudo. Não se pode nem ao menos ter tudo.
Mas com o pouco que temos de tudo, é necessário valorizar e ver que no final, tudo vale a pena.
O que foi vivido carregamos para o resto da vida. Aprendizado e momentos que só o Universo Parallelo pode nos proporcionar.
Bem vindo ao mundo real da psicodelia. Aproveite-o enquanto é tempo. Você precisa passar por isso para se tornar uma pessoa melhor.
Por Maira Moreira
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Earthdance: por um mundo melhor
Matéria publicada no Caderno Eu Acredito do Jornal Hoje em Dia - 24/09/09
Produzida pela Colaboradora Maira Moreira
Earthdance: por um mundo melhor
A ONG quer mostrar para a sociedade que existe um meio alternativo auto-sustentável de se conviver com o planeta
Criada na Califórnia em 1996, a Earthdance é uma ONG internacional que realiza anualmente o maior evento sincronizado de música, dança e tecnologia do mundo. Sua primeira edição, no ano de sua criação, aconteceu em 22 cidades de 18 países, e atualmente, ocorre em mais de 360 cidades de 65 países. No Brasil, a Earthdance é realizada desde 2000 e nesse ano acontece em sete cidades: Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.
Nos dias 26 e 27 de setembro, mais de 200 mil pessoas se reunirão para a Earthdance 2009 visando ao custeio de causas humanitárias em prol da paz e pela luta por um mundo melhor. A principal característica do evento é beneficiar ONGs e instituições filantrópicas que trabalhem com meio ambiente, crianças carentes, tribos indígenas e jovens urbanos. Para isso, cada evento realizado deve doar 50% do lucro líquido para uma instituição escolhida de sua cidade. Em 2009, a Earthdance São Paulo vai beneficiar a ONG Makanudos de Javeh, que atua em parceria com Escolas Públicas de São Paulo.
Cientes de que as crianças são o futuro da humanidade, o tema escolhido este ano é "Blessing the Children", que significa abençoe as crianças. Com esse intuito, a Earthdance São Paulo está mobilizando as pessoas para doarem livros e brinquedos às escolas públicas de Itu, cidade em que a festa vai acontecer. Os projetos ao redor do mundo não são dirigidos pela ONG Internacional Earthdance. Ela nomeia embaixadores em cada país para se responsabilizar pelos eventos da região e incentivar novas cidades a produzirem os mesmos. O embaixador da Earthdance Brasil é o responsável pelo site internacional Zuvuya.net, que aborda temas como música eletrônica, arte, cultura, cursos, ecologia e viagens, dentre outros. De acordo com o embaixador e coordenador geral da Earthdance São Paulo, Jigar Hans Assar, a atividade de um embaixador Earthdance não se limita só ao auxílio dos outros produtores do Brasil. "Temos a grande responsabilidade de identificar, verificar e ajudar na escolha de novos produtores ou o desligamentodaqueles que não honraram o compromisso com o Earthdance", explica.
A ONG tem a proposta de mostrar para a sociedade que existe um meio alternativo e auto-sustentável de se conviver com o planeta. O intuito é de estimular a pró-atividade e utilizar a diversão pela música eletrônica para produzir algo útil e positivo à sociedade.
Desde 2007, a Earthdance São Paulo realiza trabalhos de conscientização ambiental em parceria com o Instituto Vidágua, distribuindo lixeiras de bolso no evento para incentivar a reciclagem de cigarro e expondo produtos de materiais orgânicos e recicláveis. Também o evento conta com um espaço para realizações de palestras sobre sustentabilidade, permacultura "cultura permanente" e futuro das crianças, além de abrir espaços para ONGs exporem seus trabalhos. A Earthdance também subsidiou o plantio de mais de duas mil mudas de árvores por ano no município de Itu. Para mais informações acesse o site da Earthdance.
Produzida pela Colaboradora Maira Moreira
Earthdance: por um mundo melhor
A ONG quer mostrar para a sociedade que existe um meio alternativo auto-sustentável de se conviver com o planeta
Criada na Califórnia em 1996, a Earthdance é uma ONG internacional que realiza anualmente o maior evento sincronizado de música, dança e tecnologia do mundo. Sua primeira edição, no ano de sua criação, aconteceu em 22 cidades de 18 países, e atualmente, ocorre em mais de 360 cidades de 65 países. No Brasil, a Earthdance é realizada desde 2000 e nesse ano acontece em sete cidades: Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.
Nos dias 26 e 27 de setembro, mais de 200 mil pessoas se reunirão para a Earthdance 2009 visando ao custeio de causas humanitárias em prol da paz e pela luta por um mundo melhor. A principal característica do evento é beneficiar ONGs e instituições filantrópicas que trabalhem com meio ambiente, crianças carentes, tribos indígenas e jovens urbanos. Para isso, cada evento realizado deve doar 50% do lucro líquido para uma instituição escolhida de sua cidade. Em 2009, a Earthdance São Paulo vai beneficiar a ONG Makanudos de Javeh, que atua em parceria com Escolas Públicas de São Paulo.
Cientes de que as crianças são o futuro da humanidade, o tema escolhido este ano é "Blessing the Children", que significa abençoe as crianças. Com esse intuito, a Earthdance São Paulo está mobilizando as pessoas para doarem livros e brinquedos às escolas públicas de Itu, cidade em que a festa vai acontecer. Os projetos ao redor do mundo não são dirigidos pela ONG Internacional Earthdance. Ela nomeia embaixadores em cada país para se responsabilizar pelos eventos da região e incentivar novas cidades a produzirem os mesmos. O embaixador da Earthdance Brasil é o responsável pelo site internacional Zuvuya.net, que aborda temas como música eletrônica, arte, cultura, cursos, ecologia e viagens, dentre outros. De acordo com o embaixador e coordenador geral da Earthdance São Paulo, Jigar Hans Assar, a atividade de um embaixador Earthdance não se limita só ao auxílio dos outros produtores do Brasil. "Temos a grande responsabilidade de identificar, verificar e ajudar na escolha de novos produtores ou o desligamentodaqueles que não honraram o compromisso com o Earthdance", explica.
A ONG tem a proposta de mostrar para a sociedade que existe um meio alternativo e auto-sustentável de se conviver com o planeta. O intuito é de estimular a pró-atividade e utilizar a diversão pela música eletrônica para produzir algo útil e positivo à sociedade.
Desde 2007, a Earthdance São Paulo realiza trabalhos de conscientização ambiental em parceria com o Instituto Vidágua, distribuindo lixeiras de bolso no evento para incentivar a reciclagem de cigarro e expondo produtos de materiais orgânicos e recicláveis. Também o evento conta com um espaço para realizações de palestras sobre sustentabilidade, permacultura "cultura permanente" e futuro das crianças, além de abrir espaços para ONGs exporem seus trabalhos. A Earthdance também subsidiou o plantio de mais de duas mil mudas de árvores por ano no município de Itu. Para mais informações acesse o site da Earthdance.
sábado, 12 de setembro de 2009
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Na memória: 60 anos de manifestações culturais ao ar livre
O cinema popular sobre quatro rodas, Cine Grátis, trouxe momentos de entretenimento aos belorizontinos durante onze anos
“A Agência Americana de Assinaturas tem a honra e a satisfação de convidar V. Senhoria, Exma. Família e dignos auxiliares desta casa, para assistirem à sessão de lançamento de seu Departamento de Publicidade CINE GRÁTIS”. E assim, tudo começou para que a primeira exibição do projeto acontecesse, dia 03 de setembro de 1949. Pelas escadarias da Igreja Matriz São José, o filme “O Gordo e o Magro” foi a primeira exibição feita para a grande multidão que comparecia ao local. O convite foi enviado a todos os comerciantes de Belo Horizonte e a notícia se espalhou boca a boca. E, a partir de então, o Cine Grátis conquistou por onze anos a capital mineira.
A cada dia da semana o cinema popular acontecia em algum local público da cidade e contava com uma programação extensa e diversificada. Toda sua estrutura era montada em cima de um Ford modelo 33, no qual uma engenhoca de madeira dobrável em três partes, se tornava uma mesa de projeção. A tela de 12 metros era montada minutos antes das apresentações. As sessões aconteciam entre 8 e 10 horas da noite e atraíam cerca de duas mil pessoas para prestigiar as programações, que variavam entre curtas-metragens, desenhos animados, filmes educativos, comédias e documentários. Cine Grátis contava com o apoio do Conselho de Trânsito para isolar a área e da Companhia Força e Luz para colocar sacos plásticos pretos nas luzes, com o intuito de abafar a iluminação das praças.
Segundo Márcio Quintino dos Santos, um de seus fundadores, toda a história começou de uma brincadeira no Colégio Arnaldo. Ele, Márcio Duffles, Danilo Carvalho, Hélio Coscarelli e João Jacques, se juntaram para produzir o cinema popular. “A curiosidade surgiu a partir das aulas de projeção que tínhamos no colégio” contou Márcio Quintino. O maior objetivo do projeto era levar cultura a quem não tinha acesso. “Se o povo não vai até o cinema, nós levamos o cinema atrás do povo”, lembra Márcio.
O encanto do público
O projeto vivia exclusivamente de publicidade. Entre os intervalos dos filmes, slides de propaganda dos patrocinadores eram exibidos. Como pagamento, as empresas faziam publicidade apoiando o Cine Grátis e pagavam certa quantia para custear os aluguéis dos filmes, que vinham diretamente de São Paulo. Além disso, campanhas educativas, sanitárias, cívicas e políticas faziam parte da programação. Segundo Quintino, JK era freqüentador assíduo das noites de exibições da Praça da Liberdade. “Ele utilizou o espaço publicitário para fazer campanha política para governador em 1950 e presidente em 1955.”
A aposentada Zilda Macedo, 78 anos, lembra do Cine Grátis como parte da sua vida. “As pessoas iam muito bem vestidas para as sessões. Parecia até uma festa! Eu e minhas amigas sempre íamos à Praça da Liberdade assistir aos filmes”. Já a professora aposentada Maria Auxiliadora Santos, recorda: “naquela época eu costumava ir à Praça do bairro Santa Tereza. Era bom demais (risos). Ia uma turma de moças, a gente assistia o filme e paquerava os rapazes. Era a nossa diversão de quase toda semana”.
Márcio Quintino conta que a programação atraía famílias, crianças e principalmente casais de namorados. “Por muitos anos recebi cartas de pessoas que começaram a namorar em frente as telas, casaram e tiveram filhos. O mais marcante foi um casal que escreveu contando que colocou o nome do seu filho de José Cine Grátis. Achei uma maluquice, mas eles quiseram.”
A mudança para Brasília
Em 1958, Márcio Quintino foi chamado por JK para trabalhar nas obras da construção de Brasília. Dois anos depois ele levou o projeto para as ruas da nova capital do país. Por mais dez anos ele permaneceu fazendo o cinema popular por lá. Porém, a evolução da TV, o crescimento da violência e a falta de compreensão e solidariedade das pessoas, fizeram o Cine Grátis acabar. “As pessoas passaram a ficar mais em casa, a violência havia crescido. O cinema é apresentado como uma possibilidade de redescobrir a própria cultura e identificar-se com valores do seus país através das telas. Ele encarna nossas almas, sonhos, fantasias e histórias. Morro de saudades dos tempos do Cine Grátis, pois passei parte da minha vida em dedicação a ele” conta Márcio Quintino.
Atualmente o acervo do Cine Grátis encontra-se no CRAV – Centro de Referência Audiovisual de Belo Horizonte, e está disponível para consultas e pesquisas.
1999 – Bodas de Ouro do Cine Grátis
Na comemoração do cinqüentenário de criação do Cine Grátis, em 1999, o animador cultural Márcio Quintino dos Santos foi agraciado em solenidade realizada no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, com o troféu que tem como patrono o cineasta Humberto Mauro e onde foi exibido o filme “Cinema Paradiso”, do italiano Guiseppe Tornatore. A solenidade fez parte do projeto “Savassi 2000 – Arte na Praça, que desencadeou uma grande movimentação cultural.
Anualmente o troféu se destina a agraciar 10 personalidades que tenham se destacado no setor das artes audiovisuais, é um reconhecimento ao valor de quantos, em qualquer tempo tenham contribuído para o desenvolvimento de tais artes.Humberto Duarte Mauro, nascido em Volta Grande, Minas Gerais, se instalou em Cataguases aos 13 anos e fez daquela cidade um dos mais importantes pólos do cinema brasileiro devido ao seu pioneirismo.Entre 1925 e 1974 fez filmes sempre com temas brasileiros.
Na comemoração do cinqüentenário do Cine Grátis, também foi criada na vitrine do Café-Livraria da Travessa, ponto de encontro de intelectuais, uma espécie de museu do Cine Grátis. Lá, foram colocadas máquinas antigas de cinema e fotos antigas da promoção, além da exposição, foram exibidos vários filmes na praça. O projeto foi idealizado pelo empresário e pelos produtores culturais, Fábio Campos, Maria Inês Mascarenhas e Luis Otávio Brandão, e teve o objetivo de colocar a arte “cara a cara” com o público.
As projeções do Cine Grátis ao ar livre marcaram época como um evento de grande entretenimento nos anos 50 em Belo Horizonte, e como recordação dessa época foram selecionados curtas, documentários educativos, desenhos animados e um audiovisual produzido por Quintino e selecionado em seus arquivos particulares, constantemente fontes de referências para pesquisadores interessados em estudar imagens doas anos 40, 50 e 60, para serem exibidos na praça.
O Cine Grátis foi um projeto que propiciou a inserção da cultura no processo de desenvolvimento cultural de muitas pessoas que não tinham acesso à 7ª arte, por isso essa homenagem prestada ao idealizador do projeto significou uma homenagem a um momento particular na história da vida cultural de Belo Horizonte, o pioneirismo de Quintino ao promover e difundir a cultura e a publicidade áudio-visual na cidade.
Apesar da rusticidade do sistema de exibição, que usava um projetor de 16 milímetros, e do grande número de propagandas que eram exibidas por seção para cobrir os custos dos aluguéis dos filmes, milhares de pessoas se divertiram com o entretenimento de tal forma que fez do Cine Grátis uma lenda cultural, pois foi numa época em que a televisão ainda não havia chagado ao Brasil e a atração ainda era o rádio.
“A Agência Americana de Assinaturas tem a honra e a satisfação de convidar V. Senhoria, Exma. Família e dignos auxiliares desta casa, para assistirem à sessão de lançamento de seu Departamento de Publicidade CINE GRÁTIS”. E assim, tudo começou para que a primeira exibição do projeto acontecesse, dia 03 de setembro de 1949. Pelas escadarias da Igreja Matriz São José, o filme “O Gordo e o Magro” foi a primeira exibição feita para a grande multidão que comparecia ao local. O convite foi enviado a todos os comerciantes de Belo Horizonte e a notícia se espalhou boca a boca. E, a partir de então, o Cine Grátis conquistou por onze anos a capital mineira.
A cada dia da semana o cinema popular acontecia em algum local público da cidade e contava com uma programação extensa e diversificada. Toda sua estrutura era montada em cima de um Ford modelo 33, no qual uma engenhoca de madeira dobrável em três partes, se tornava uma mesa de projeção. A tela de 12 metros era montada minutos antes das apresentações. As sessões aconteciam entre 8 e 10 horas da noite e atraíam cerca de duas mil pessoas para prestigiar as programações, que variavam entre curtas-metragens, desenhos animados, filmes educativos, comédias e documentários. Cine Grátis contava com o apoio do Conselho de Trânsito para isolar a área e da Companhia Força e Luz para colocar sacos plásticos pretos nas luzes, com o intuito de abafar a iluminação das praças.
Segundo Márcio Quintino dos Santos, um de seus fundadores, toda a história começou de uma brincadeira no Colégio Arnaldo. Ele, Márcio Duffles, Danilo Carvalho, Hélio Coscarelli e João Jacques, se juntaram para produzir o cinema popular. “A curiosidade surgiu a partir das aulas de projeção que tínhamos no colégio” contou Márcio Quintino. O maior objetivo do projeto era levar cultura a quem não tinha acesso. “Se o povo não vai até o cinema, nós levamos o cinema atrás do povo”, lembra Márcio.
O encanto do público
O projeto vivia exclusivamente de publicidade. Entre os intervalos dos filmes, slides de propaganda dos patrocinadores eram exibidos. Como pagamento, as empresas faziam publicidade apoiando o Cine Grátis e pagavam certa quantia para custear os aluguéis dos filmes, que vinham diretamente de São Paulo. Além disso, campanhas educativas, sanitárias, cívicas e políticas faziam parte da programação. Segundo Quintino, JK era freqüentador assíduo das noites de exibições da Praça da Liberdade. “Ele utilizou o espaço publicitário para fazer campanha política para governador em 1950 e presidente em 1955.”
A aposentada Zilda Macedo, 78 anos, lembra do Cine Grátis como parte da sua vida. “As pessoas iam muito bem vestidas para as sessões. Parecia até uma festa! Eu e minhas amigas sempre íamos à Praça da Liberdade assistir aos filmes”. Já a professora aposentada Maria Auxiliadora Santos, recorda: “naquela época eu costumava ir à Praça do bairro Santa Tereza. Era bom demais (risos). Ia uma turma de moças, a gente assistia o filme e paquerava os rapazes. Era a nossa diversão de quase toda semana”.
Márcio Quintino conta que a programação atraía famílias, crianças e principalmente casais de namorados. “Por muitos anos recebi cartas de pessoas que começaram a namorar em frente as telas, casaram e tiveram filhos. O mais marcante foi um casal que escreveu contando que colocou o nome do seu filho de José Cine Grátis. Achei uma maluquice, mas eles quiseram.”
A mudança para Brasília
Em 1958, Márcio Quintino foi chamado por JK para trabalhar nas obras da construção de Brasília. Dois anos depois ele levou o projeto para as ruas da nova capital do país. Por mais dez anos ele permaneceu fazendo o cinema popular por lá. Porém, a evolução da TV, o crescimento da violência e a falta de compreensão e solidariedade das pessoas, fizeram o Cine Grátis acabar. “As pessoas passaram a ficar mais em casa, a violência havia crescido. O cinema é apresentado como uma possibilidade de redescobrir a própria cultura e identificar-se com valores do seus país através das telas. Ele encarna nossas almas, sonhos, fantasias e histórias. Morro de saudades dos tempos do Cine Grátis, pois passei parte da minha vida em dedicação a ele” conta Márcio Quintino.
Atualmente o acervo do Cine Grátis encontra-se no CRAV – Centro de Referência Audiovisual de Belo Horizonte, e está disponível para consultas e pesquisas.
1999 – Bodas de Ouro do Cine Grátis
Na comemoração do cinqüentenário de criação do Cine Grátis, em 1999, o animador cultural Márcio Quintino dos Santos foi agraciado em solenidade realizada no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, com o troféu que tem como patrono o cineasta Humberto Mauro e onde foi exibido o filme “Cinema Paradiso”, do italiano Guiseppe Tornatore. A solenidade fez parte do projeto “Savassi 2000 – Arte na Praça, que desencadeou uma grande movimentação cultural.
Anualmente o troféu se destina a agraciar 10 personalidades que tenham se destacado no setor das artes audiovisuais, é um reconhecimento ao valor de quantos, em qualquer tempo tenham contribuído para o desenvolvimento de tais artes.Humberto Duarte Mauro, nascido em Volta Grande, Minas Gerais, se instalou em Cataguases aos 13 anos e fez daquela cidade um dos mais importantes pólos do cinema brasileiro devido ao seu pioneirismo.Entre 1925 e 1974 fez filmes sempre com temas brasileiros.
Na comemoração do cinqüentenário do Cine Grátis, também foi criada na vitrine do Café-Livraria da Travessa, ponto de encontro de intelectuais, uma espécie de museu do Cine Grátis. Lá, foram colocadas máquinas antigas de cinema e fotos antigas da promoção, além da exposição, foram exibidos vários filmes na praça. O projeto foi idealizado pelo empresário e pelos produtores culturais, Fábio Campos, Maria Inês Mascarenhas e Luis Otávio Brandão, e teve o objetivo de colocar a arte “cara a cara” com o público.
As projeções do Cine Grátis ao ar livre marcaram época como um evento de grande entretenimento nos anos 50 em Belo Horizonte, e como recordação dessa época foram selecionados curtas, documentários educativos, desenhos animados e um audiovisual produzido por Quintino e selecionado em seus arquivos particulares, constantemente fontes de referências para pesquisadores interessados em estudar imagens doas anos 40, 50 e 60, para serem exibidos na praça.
O Cine Grátis foi um projeto que propiciou a inserção da cultura no processo de desenvolvimento cultural de muitas pessoas que não tinham acesso à 7ª arte, por isso essa homenagem prestada ao idealizador do projeto significou uma homenagem a um momento particular na história da vida cultural de Belo Horizonte, o pioneirismo de Quintino ao promover e difundir a cultura e a publicidade áudio-visual na cidade.
Apesar da rusticidade do sistema de exibição, que usava um projetor de 16 milímetros, e do grande número de propagandas que eram exibidas por seção para cobrir os custos dos aluguéis dos filmes, milhares de pessoas se divertiram com o entretenimento de tal forma que fez do Cine Grátis uma lenda cultural, pois foi numa época em que a televisão ainda não havia chagado ao Brasil e a atração ainda era o rádio.
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