quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Saber, mudar e agir são as chaves para uma nova cultura

MAIRA MOREIRA, LITZA MATTOS E VALÉRIA FLORES - 27/05/2010

Publicação do livro para os alunos é outra ação do projeto de educação ambiental

A conscientização efetiva, eficaz e integrada, sobre a importância dos processos de produção, consumo e descarte responsáveis e o poder transformador destas escolhas, no cotidiano, são paradigmas que, cada vez mais, estão saindo da perspectiva teórica e ocupando espaços de conhecimento, entendimento e ação práticas, como as salas de aula brasileiras. Mais de dois mil adolescentes e 120 educadores de 15 escolas de cinco capitais do Brasil (Belo Horizonte, Cuiabá, Natal, Porto Alegre e Porto Velho), são os principais beneficiados do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", desenvolvido pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em parceria, desde 2008, com a Hewlett-Packard (HP).

A parceria, integra a campanha "Escolha Consciente HP", que utiliza o modelo metodológico de repasse de verbas onde, para cada venda de produto de imagem ou impressão da Hewlett-Packard (HP), R$ 3,00 são revertidos para o Akatu expandir suas ações sociais. Em 2008, a campanha arrecadou quase um milhão de reais, em 2009, superou essa marca e, esse ano, a previsão é bater o recorde do ano passado. Outra ação do "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", é a publicação do livro, voltado para alunos, "Trilha do Consumo Consciente - suas escolhas transformam o mundo". A obra valoriza um modelo de linguagem jovem, com ilustrações atraentes e se baseia nas metodologias já utilizadas em outros projetos, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) - referenciais elaborados pelo governo Federal, em 1996, voltados, sobretudo, para a estruturação e reestruturação dos currículos escolares no Brasil. Os materiais entregues aos alunos e professores servirão para o desenvolvimento do Projeto Temático, que a escola beneficiada pelo programa iniciará após a formação dos professores, sob a orientação dos profissionais do Akatu, e cujo término está previsto para novembro deste ano. Destaque como exemplo de organização social que desenvolve, desde 2000, ações para sensibilizar e mobilizar os indivíduos sobre a necessidade de entender e agir, sob a ótica do consumo consciente, para preservar, proteger e salvar o planeta e suas formas de vida - assim vem sendo reconhecido o Akatu.

A chave, para vencer esse desafio mundial, de acordo com o presidente do instituto, Helio Mattar, é a educação. Ele acredita que só por meio da Educação poderá ser consolidada uma nova cultura, nos âmbitos social, político e econômico de produção, consumo e descarte responsáveis. Segundo a coordenadora do programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental", Camila Melo, em cada cidade, três escolas foram selecionadas e cada uma trabalhou um dos métodos de capacitação. "O objetivo é que cada escola busque uma metodologia e, os professores, desenvolvam um projeto apontando a melhor e efetiva solução na abordagem da temática sobre o consumo consciente, em sala de aula. A necessidade é ensinar, sensibilizar e mobilizar os alunos, sobre a importância da mudança de comportamento já", afirma a coordenadora.

O projeto piloto do programa começou em outubro passado, em quatro escolas de diferentes regiões brasileiras - em Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte (Minas Gerais), Cuiabá (Mato Grosso) e Natal (Rio Grande do Norte) - aonde foram iniciadas as atividades de formação de professores. Na capital mineira, a temática ambiental ganhou força no currículo de três escolas da rede estadual: Manoel Soares do Couto, Carlos Góes e Ana de Carvalho Silveira, com a capacitação de professores. Para viabilizar o programa, o Instituto Akatu ofereceu todo o material de apoio necessário aos professores, assim como livros às bibliotecas das escolas, adaptados, com linguagem própria, para cada faixa etária. "A meta é que, alunos e professores se tornem disseminadores da causa, nas comunidades e demais ambientes. Mas quanto aos jovens, principalmente, que passem a ver realidade de outra forma, mudando antigas culturas e optando por novas posturas e atitudes, no sentido de melhorar o mundo", confirma Camila.

Semente boa para um mundo melhor

E em tempos de revisão de conceitos sobre a corrida ao crescimento, agora não mais a qualquer custo, mas sim, aliada às premissas do desenvolvimento sustentável, vigora na agenda global, o debate em torno da necessidade da adaptação de todos à uma nova cultura, como resposta à seguinte questão: que futuro queremos? Nesse contexto, outros paradigmas precisam ser considerados, como a rapidez do surgimento de novas tecnologias, que perpassam todas as cadeias, da criação, passando pela produção e comercialização até o consumo de toda sorte de serviços e produtos e que, se desconsiderados, trazem à tona, o fantasma da "exclusão". Uma delas tem se destacado no cenário global: as catástrofes naturais que, em efeito cascata, atingem a vida das pessoas no mundo, de norte a sul do planeta. Essa é uma das principais bandeiras levantadas pelo Instituto Akatu, criado há 10 anos. Curto e original, o nome escolhido pelos idealizadores da organização, Akatu, condensa seus conceitos e valores, além de justificar sua atuação na sociedade: é formado pela união de duas palavras, a e katu, de origem Tupi, e significa semente boa para um mundo melhor.

Para integrar todas as suas ações, de forma interdisciplinar, o programa "Educação para o Consumo Consciente e Sustentabilidade Ambiental" tem o apoio das secretarias de Educação nos estados onde vem sendo implementado. Gestão de resíduos, consumo consciente, economia solidária e desigualdade social, são alguns dos temas mais reincidentes em todas as fases. Desde março, os professores estão replicando o aprendizado a outros colegas e colocando em prática os projetos criados com os alunos, principalmente estudantes do Ensino Fundamental II, fase em que começam a formação de valores individuais e práticas mais autônomas de consumo. "A expectativa é que mais de dois mil alunos, com média de 12 anos, passem por esse processo de aprendizado", afirma Camila. No segundo semestre deste ano, o Akatu fará uma avaliação do programa, para identificar, entre todos os projetos desenvolvidos, tem potencial para se efetivar como um modelo padrão, a partir de 2011. "O próximo passo é tentar expandir o projeto para toda a rede pública de ensino do país", conclui o diretor presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar.