terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Welcome to Universo Parallelo

Todo final de ano é assim... corrida contra o tempo para conseguir uma folguinha no trabalho. Horas extras, trabalho dobrado, muito esforço. Mas no final de tudo, sempre vale a pena.
Pelo quarto ano consecutivo meu destino foi o mesmo: Universo Parallelo. Se vale a pena? Sim. Cada ano é um sentimento, cada dia é uma magia, cada momento é uma lembrança. E com o tempo você vai se acostumando que, na verdade, você quem faz a diferença. Um festival, por mais que seja o mesmo, jamais será igual.

Esse ano uma novidade nos pegou de surpresa. Um local inédito para vivenciar esses momentos únicos que o Universo proporciona. Com o mar calmo, não ouvíamos o barulho das ondas, que mal apareciam por lá. Ao andar um pouco, pode-se ver o encontro das águas do mar com as águas do rio. Possível ver as pedras no fundo do rio. Necessário andar com cuidado para nelas não pisar. Ali todos os dias era possível ver um maravilhoso pôr-do-sol. Atrás dos coqueiros, ia perdendo a cor aos poucos.. pura terapia relaxante.

Ao chegarmos antes, pudemos vivenciar momentos que nunca havíamos se quer reparado. As pessoas trabalhando para fazer acontecer. Cada detalhe na decoração que somente os mais sábios podem reparar. Tanta perfeição. Mínimos detalhes...

Aos poucos as pessoas foram chegado e florindo o lugar. Percebia-se a expressão de cada uma. Oforia, ansiedade, alegria, entusiasmo, dúvidas, receios. Cada um carregava uma bagagem de sentimentos. Impossível não ser assim.

A cada batida em uma pista, uma sensação. O Chill out carregava o branco da paz, trazendo tranquilidade ao ambiente assim como a música que ali seguia.

A pista goa trazia a psicodelia. Coloridos por todas as partes. Uma decoração carregada de detalhes que nos enfeitiçava a cada olhada.

A pista alternativa minimalista. Muitos artistas surpreenderam saindo da mesmisse do low, trazendo novidades e tendências. A qualquer hora, pessoas dançando, curtindo, sentindo. Por um instante, parecia isolada nas areias da Praia do Garcez, o que trazia mais perfeição ao local escolhido.

A feira mix logo se seguia. Quantas lojas. Diversidade. Assim como nunca se viu em um festival. De tudo se encontrava. E todas as noitas as pinturas da Maria Budah encantavam os olhos de quem ali passava. Estondeantes, fluor, glow. Panos que para cada pessoa transmitia uma sensação, uma imagem.

A pista principal estava sensacional. Uma decoração indescritível, que só estando lá para saber. Ao olhar para o artista, pode-se fixar no infinito do mar. Max Grillo, Neelix, Quantize, Xibalba, Swarup....As pessoas ali dançavam, se soltavam ao som do psy trance. A noite dois corações em cada lado do palco, eram invadidos pelas imagens projetadas pelos VJs. Cada noite uma surpresa. Tudo se encaixava. A batida do som, os passos de dança das pessoas, cada um com seu estilo de ser, cada um com o ritmo que sentia da música. Olhos fechados e corpo em movimento.

O momento mais esperado chega: meia noite do dia 31 de dezembro. Virada de mais um ano. Conquistas, saúde, sucesso, amor, dinheiro, paz. Dentre os pedidos feitos em outros anos, vários foram realizados. A virada. O momento de agradecer pelo que passou e pedir benção para o ano que entra. 2010. Particularmente, muito esperado.

Nesse momento ouvi palavras que muito me satisfazeram. Alguns amigos gringos mostraram quanto estavam anestesiados com a situação, o local, a oportunidade. Pela descrição, jamais sentiram aquilo. Jamais imaginaram que o Universo Parallelo era assim. Alegria transparecia em suas feições. Satisfação em poder participar desses momentos na vida de outras pessoas. Nos tornamos inesquecíveis simplesmente por estar presente ali.

Perrengues tiveram...... mais do que o normal. A água estava escassa. As pessoas passavam e falavam "o homem vive sem tudo, menos sem água". Será? Como vivemos sem amigos, sem calor humano, sem alegria ou música? Sem poder dançar e expressar os sentimentos através dos movimentos do corpo? Sem a proteção divina, contatos físicos, pensamentos? Sim, a água é essencial na vida do ser humano. Mas sobrevivemos. Depois de alguns longos dias todo mundo sobreviveu. Normal. A vida é assim. Não podemos ter fartura de tudo. Não se pode nem ao menos ter tudo.

Mas com o pouco que temos de tudo, é necessário valorizar e ver que no final, tudo vale a pena.
O que foi vivido carregamos para o resto da vida. Aprendizado e momentos que só o Universo Parallelo pode nos proporcionar.

Bem vindo ao mundo real da psicodelia. Aproveite-o enquanto é tempo. Você precisa passar por isso para se tornar uma pessoa melhor.

Por Maira Moreira